Reforma Tributária entra em fase de testes em 2026 e muda rotina de empresas e empresários
A Reforma Tributária inicia em 2026 uma fase de testes com a introdução da CBS e do IBS, exigindo adaptação imediata das empresas, atualização de sistemas fiscais e planejamento estratégico durante a transição até 2033.

Reforma Tributária entra em fase de testes em 2026 e muda rotina de empresas e empresários
A partir de 1º de janeiro de 2026, o Brasil inicia oficialmente a fase de implementação da Reforma Tributária, considerada a maior transformação do sistema de tributos sobre o consumo desde a Constituição de 1988.
Neste primeiro momento, entra em vigor o chamado período de testes, no qual passam a ser obrigatórios novos documentos fiscais e o destaque dos novos tributos, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal.
Embora ainda não haja cobrança plena desses tributos, essa etapa terá impactos imediatos na rotina das empresas, da contabilidade e do direito tributário empresarial, exigindo ajustes operacionais, atualização de sistemas e reestruturação do planejamento fiscal.
A nova estrutura tributária substitui cinco tributos atuais — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — por dois impostos baseados no modelo do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), adotado internacionalmente, com o objetivo de simplificar o sistema, reduzir a cumulatividade, eliminar distorções econômicas e ampliar a transparência da arrecadação.
Durante esse ano de 2026, as empresas deverão adequar seus sistemas de faturamento, emissão de notas fiscais e obrigações acessórias para destacar CBS e IBS, além de enviar declarações específicas, permitindo que o Fisco teste seus sistemas e promova ajustes necessários antes da plena vigência da nova tributação.
Essa transição exigirá investimentos em tecnologia, capacitação de equipes, revisão de contratos e redefinição de estratégias de precificação, uma vez que a nova lógica tributária impactará diretamente custos operacionais e formação de preços.
Paralelamente, o direito tributário empresarial passa a enfrentar novos desafios interpretativos, sobretudo diante da convivência simultânea entre o modelo antigo e o novo durante o período de transição, que se estenderá até 2033.
Outro ponto central do debate é a adaptação do Simples Nacional ao novo sistema.
Embora o regime diferenciado das micro e pequenas empresas seja mantido, surgem discussões relevantes sobre sua compatibilidade com a não cumulatividade da CBS e do IBS, especialmente quanto ao aproveitamento de créditos tributários e à necessidade de ajustes nas alíquotas.
Para 2026, a tendência é de uma adaptação gradual, buscando preservar a função constitucional do Simples de incentivar o empreendedorismo, sem comprometer a lógica do novo modelo tributário.
No entanto, especialistas alertam que ainda há aspectos pendentes de regulamentação, o que impõe cautela e acompanhamento constante por parte dos empresários.
Ao longo do período de transição, empresas devem conviver com dois sistemas tributários paralelos, aumentando a complexidade operacional e a necessidade de planejamento estratégico.
Nesse contexto, a assessoria contábil qualificada e o acompanhamento jurídico especializado tornam-se indispensáveis para mitigar riscos fiscais, evitar autuações e identificar oportunidades de eficiência tributária.
Mais do que uma mudança estrutural nos impostos, a Reforma Tributária inaugura uma nova cultura de tributação no país, baseada na simplicidade, neutralidade econômica e transparência, marcando 2026 como o início de uma transformação histórica que impactará profundamente o ambiente de negócios no Brasil.
Empresário não seja surpreendido, saia na frente, se atualize, planeje, se prepare.
Autoria: Paulo César Nunes da Silva

